Ares – O Deus Marte – Mitologia Grega

Ares (ou Marte), isto é, o bravo, era filho de Zeus (Júpiter) e de Hera. Os poetas latinos dão-lhe outra origem. Enciumada de que Zeus, sem sua participação, tivesse feito nascer Atena (Minerva), Hera por sua vez tinha querido conceber e procriar.

A deusa Flora indicou-lhe uma flor que crescia nos campos de Olene, em Achaia, cujo contato bastava para produzir esse maravilhoso efeito. Graças a essa flor ela deu à luz a Ares. Fê-lo educar por Príapo, com quem aprendeu a dança e os outros exercícios corporais, prelúdios da guerra.


As Aventuras de Ares

Os gregos sobrecarregaram a história de Ares de um grande número de aventuras. Alirótio, filho de Netuno, tendo violentado Alcipe, filha de Ares, este vingou-se matando o autor do crime.

Netuno, desesperado com a morte do filho, citou Ares em julgamento diante dos grandes deuses do Olimpo que o obrigaram a defender a sua causa; e tão bem o fez que foi absolvido. O julgamento realizou-se em uma colina de Atenas, chamada depois o Areópago (colina de Ares), onde se estabeleceu o famoso tribunal ateniense.

ares-marte

Ascalafo, filho de Ares, que comandava os beócios no cerco de Tróia, tendo sido morto, o deus foi pessoalmente vingá-lo, apesar de Zeus haver proibido que os deuses tomassem parte na guerra, pró ou contra os troianos.

O rei Olimpo teve um acesso de furiosa cólera, mas Atena o acalmou, prometendo sustentar os gregos. Com efeito, instigou Diomedes a bater-se com Ares, que foi ferido no flanco pela lança do herói. Foi Atena quem dirigiu o golpe.

Ares, ao retirar a arma da ferida, dá um grito alucinante, e imediatamente remonta ao Olimpo, entre um turbilhão de poeira. Zeus o repreende severamente, mas ordena ao médico dos deuses que cure seu filho. Peon põe sobre a ferida um bálsamo que cura sem dor, porque em um deus nada há mortal.

Homero e Ovídio contaram os amores de Ares e Vênus. Ares se tinha posto em guarda contra os olhos perspicazes de Febo, seu rival junto da bela deusa, e colocara Alectrion, seu favorito, como sentinela, mas, tendo esse adormecido, Febo percebeu os culpados, e correu a prevenir Vulcano. O marido ultrajado envolveu-os em uma rede que tanto tinha de sólida como de invisível, e tomou todos os deuses como testemunhas do seu crime e confusão.

Ares castigou ao seu predileto, mudando-o em galo; desde então essa ave procura reparar o seu erro, anunciando com o canto o nascimento do astro do dia. Vulcano, a pedido de Netuno e sob a responsabilidade deste, desfez os maravilhosos laços. Os cativos, postos em liberdade, voaram, um para a Trácia, sua terra natal, a outra para Pafos, seu reino preferido.

Mulheres e Filhos

Os poetas dão a Ares muitas mulheres e muitos filhos- Com Vênus teve dois, Deimos e Fobos, (o Terror e o Receio), e uma filha, Flermione ou Harmonia, que casou com Cadmo.

De Réia teve Rômulo e Remo; de Tebe, Evadune, mulher de Capaneu, um dos sete chefes tebanos; e de Pisene, Cícno, que montado no cavalo Arion, combateu contra Hércules e por este foi morto. Os antigos habitantes da Itália davam Nereina por esposa de Ares.
Belona é sua irmã ou sua mulher. Era ela quem atrelava e conduzia o seu carro; o Terror (Deimos) e o Receio (Fobos) a acompanhavam. Os poetas a descrevem no meio dos combates, correndo de um lado para outro, os cabelos esparsos, o fogo nos olhos, fazendo estalar nos ares o seu látego ensanguentado. Como deus da guerra, Ares é sempre acompanhado da Vitória. Entretanto nem sempre era invencível.

Adoração do Deus Ares

deus-ares

O seu culto parece ter sido pouco espalhado na Grécia. Só se conhece um templo elevado em honra sua, e não se citam mais de duas ou três estátuas do deus, principalmente a de Esparta, que era amarrada para que Ares não abandonasse os exércitos durante a guerra.

Em Roma, porém, era especialmente venerado. Desde o reinado de Numa, teve ao serviço do seu culto e dos seus altares, um colégio de padres, escolhidos entre os patrícios.

Esses padres, chamados sábios, eram prepostos à guarda de doze escudos sagrados, ou ancilos, dos quais se dizia que um tinha caído do céu. Todos os anos, na festa do deus, os sábios, trazendo os broquéis e vestidos com uma túnica de púrpura, percorriam a cidade dançando e pulando.

O seu chefe marchava na frente, Iniciava a dança e os outros imitavam-lhe os passos. Essa procissão solene terminava no templo do deus por um suntuoso e delicado festim.

Templos e Oferendas

Entre os numerosos templos que Ares possuía em Roma, o mais célebre foi o que Augusto lhe dedicou, sob o nome de Ares Vingador.

Ofereciam-lhe como vítimas o touro, o varrão, o carneiro, e mais raramente o cavalo. O galo e o abutre eram-lhe consagrados. As senhoras romanas sacrificavam-lhe um galo no primeiro dia do mês que tem o seu nome (março), e era por este mês que o ano romano começava até o tempo de Júlio César.

Os antigos sabinos o adoravam sob a efígie de uma lança (Quiris): daí provêm os nomes de Quirinus, dado a seu filho Rômulo, e o de Quintas, empregado para designar os cidadãos romanos.

Havia em Roma uma fonte venerada e especialmente consagrada a Ares. Nero banhou-se nela. Esse desdém pelas crenças populares só serviu para aumentar a aversão que se sentia por esse tirano. A datar desse dia, a sua saúde, tendo-se enfraquecido, o povo não duvidou que pelo seu sacrilégio atraíra a vingança dos deuses.

Representação de Ares

Os antigos monumentos representam o deus Ares de um modo bastante uniforme, sob a figura de um homem armado com um capacete, uma lança e um escudo, ora nu, ora com roupas de guerra, e também com um manto sobre os ombros.

Algumas vezes mostram-no com toda a barba, mas geralmente imberbe; outras vezes empunha o bastão de comando. Sobre o seu peito vê-se a égide com a cabeça de Medusa. Ora está no seu carro tirado por cavalos fogosos, ora a pé, sempre em atitude guerreira. O seu sobrenome de Gravidus significa: “aquele que marcha a passos largos”.

A nossa gravura representa Ares em repouso: ao seu lado estão as armas; e o amor a seus pés, parece em vão espreitá-lo: ainda se mostra inquieto, e apenas descansando dos combates.

Categoria: Deuses Gregos