Ártemis – A Deusa Grega da Mitologia

Ártemis ou Artemis, filha de Latona e de Júpiter, irmã gêmea de Apoio, nasceu em Delos, alguns momentos antes de seu irmão. Testemunha das dores maternais de Lato-na, concebeu uma tal aversão pelo casamento, que pediu e obteve de Júpiter o favor de guardar uma virgindade perpétua, como sua irmã Minerva.

Tal é a razão por que essas duas deusas receberam do oráculo de Apoio o nome de Virgens brancas, O próprio Júpiter armou-a de um arco e flechas, e fé-Ia rainha dos bosques. Deu-lhe como cortejo sessenta ninfas, chamadas Oceánias, e mais outras vinte chamadas Ásias, das quais Ártemis exigia uma inviolável castidade.


Com esse numeroso e gracioso cortejo ela se entrega à caça, sua ocupação favorita. As ninfas são grandes e belas, mas a deusa as sobrepuja pelo talhe e pela formosura.

Como Apoio, seu irmão, tem diferentes nomes: na terra, é Ártemis ou Artemis; no céu, a Lua ou Febe; nos Infernos, Hecate. Além desses tinha muitos sobrenomes, conforme as qualidades que se lhe atribuíam, as regiões que parecia favorecer, os templos em que era adorada.

A Lua e a Noite

Quando Apoio, isto é, o Sol, desaparece no horizonte, Ártemis, isto é, a Lua, resplandece nos céus e espalha discretamente a sua luz nas profundidades misteriosas da noite: Essas duas divindades não têm funções idênticas, mas as têm parecidas: alternativamente aclaram o mundo; daí o seu caráter de fraternidade. Apoio é celebrado de preferência pelos rapazes; é-o Ártemis pelos coros de raparigas.

 

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Diana: A Deusa Severa

Essa deusa é grave, severa, cruel e mesmo vingativa. Eia procede sem piedade contra todos aqueles que provocaram o seu ressentimento. Não hesita em lhes destruir as colheitas, em devastar os seus rebanhos, em semear a epidemia em redor, em humilhar, em fazer mesmo perecer os seus filhos.

A pedido de Latona, sua mãe, ela se une a Apoio, para atravessar com as suas flechas todos os filhos da desgraçada Níobe. Com o mesmo rigor trata as ninfas se estas esquecem o seu dever.

Um dia, Acteon, numa caçada, surpreendeu-a no banho: ela lhe atira água no rosto; e imediatamente é transformado em veado e devorado pelos próprios cães. De outra vez, num acesso de ciúme, mata cruelmente a flechadas a Õrion que ela ama e que se deixou raptar pela Aurora. Não teve sorte mais feliz Opis, companheiro de Ártemis.

Virgem implacável, Ártemis se apaixonou entretanto pela beleza de Eudimion. Esse neto de Júpiter tinha obtido do senhor do Olimpo o singular favor de dormir um sono perpétuo. Sempre jovem, sem nunca sentir os insultos da velhice nem da morte, Eudimion dormia numa gruta do monte Latmos, em Cúria. Era ai que Ártemis ou a Lua ia visitá-lo todas as noites.

A corça e o javali eram-lhe particularmente consagrados. Ofereciam-lhe ela sacrifícios os primeiros frutos da terra, bois, carneiros, veados brancos e, às vezes, também vítimas humanas. O sacrifício de Ifigênia inspirou a mais de um poeta trágico. Em Taurida, todos os náufragos eram imolados a Ártemis, ou em honra sua atirados num precipício. Em Cilícia, no seu templo, os adoradores caminhavam sobre carvões ardentes.

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Templos de Ártemis

O mais célebre dos seus templos era incontestavelmente o de Efeso. Durante duzentos e vinte anos, toda a Ásia concorreu para construí-lo, orná-lo e enriquecê-lo. Os imensos esplendores que continha foram sem dúvida a causa das diversas revoltas que o abalaram.

Pensa-se que foi destruído e reconstruído sete vezes. Entretanto, a História não menciona senão dois incêndios nesse templo: o primeiro ateado pelas Amazonas, e o segundo por Erostrato, na mesma noite em que nasceu Alexandre. Foi inteiramente destruído no ano 263, sob o império de Galiano.

Representação da Deusa

As estátuas de Ártemis de Efeso são muito conhecidas: o corpo da deusa é ordinariamente dividido por cintas, de sorte que ela aparece como que enfaixada. Na cabeça há uma torre com muitos andares, leões em cada braço, e no peito e estômago grande número de seios.

Em toda a pane baixa do corpo estão espalhados vários animais, – bois ou touros, veados, esfinges, abelhas, insetos, etc. Vêem-se mesmo árvores e diferentes plantas, símbolos todos da natureza e das suas incontáveis produções. Em outras partes representaram-na algumas vezes com três cabeças; a primeira de cavalo, a segunda de mulher ou de marrã e a terceira de um cão, ou ainda as de touro, de cão e de leão.

Essas diversas representações da deusa parecem relacionar-se com um culto primitivo, de origem asiática, misturado de tradições egípcias.

Ártemis Caçadora

Na arte grega propriamente dita, a escultura e a gravura representaram mais freqüentemente sobretudo a casta Diana, a Ártemis caçadora, amante dos bosques e das montanhas, a deusa orgulhosa e altiva, a resplandecente rainha das noites.

Ela está com roupas de caça, os cabelos amarrados para trás, o vestido arregaçado formando segunda cintura, o carcás no ombro, um cão ao lado, e um arco retesado com o qual arremessa uma flecha. As pernas e os pés estão nus e o seio direito descoberto. Algumas vezes está calçada com borzeguins.

Muitas vezes na sua fronte resplandece um crescente, símbolo da Lua. Representavam-na caçando, no banho, ou repousando das canseiras venatórias.

Os poetas cantam-na ora num carro tirado por corças ou por veados brancos, ora montada ela mesma sobre um veado, ora correndo a pé com o seu cão, e sempre cercada das ninfas, como ela armadas, de arco e flecha.

A gravura representa o grupo de Ártemis com a corça, obra de Jean Goujon.

Categoria: Deuses Gregos