Ceres (Demeter) – A Deusa Grega da Mitologia

Ceres (ou Demeter), filha de Saturno e de Ops, ou de Vesta, ou de Cibele, ensinou aos homens a arte de cultivar a terra, de semear, de fazer a colheita do trigo, e com ele fabricar o pão, o que a fez ser vista como a deusa da agricultura. Júpiter, seu irmão, apaixonado pela sua beleza, teve com ela Perséfone ou Prosérpina.

Também foi amada por Netuno, e para escapar à sua perseguição, transformou-se em égua; o deus, que percebeu esse ardil, metamorfoseou-se em cavalo; dos amores de Netuno nasceu-lhe o cavalo Arion.


Envergonhada com a violência de Netuno, ela pôs luto, e se escondeu em uma gruta, onde ficou tanto tempo que ia matando à fome o mundo pois que, durante a sua ausência, a terra ficara estéril. Enfim, Vã, estando caçando na Arcádia, descobriu o seu retiro, informou a Júpiter, o qual, por intervenção das Parcas, apaziguou e devolveu-a ao mundo privado dos seus benefícios.

Os Figalianos, na Arcádia, ergueram-lhe uma estátua de pau, cuja cabeça era a de uma égua, com a crina donde saiam dragões. Era chamada a Ceres negra. Tendo-se queimado incidentalmente essa estátua, os Figalianos descuidaram-se do culto de Ceres, e foram castigados por uma horrível penúria que só cessou quando, pelo conselho de um oráculo, a estátua foi restabelecida.

 

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As Viagens de Ceres

Quando Plutão raptou Prosérpina, Ceres, inconsolável, queixou-se a Júpiter; mas pouco satisfeita da resposta, pôs-se ela mesma à procura de sua filha. Contam uns que subiu a um carro, tirado por dragões alados, e que erguia na mão um archote iluminado com o fogo do Etna; diz-em outros que ia a pé de um para outro lado, de país em país.

Depois de ter corrido durante todo o dia, acendia o facho e continuava a correr durante a noite.

Ceres parou primeiro em Eleusis. Nos campos vizinhos dessa cidade, via-se uma pedra, sobre a qual a deusa se sentara, acabrunhada de dor, e que se chamava a pedra triste. Mostrava-se também um poço à cuja borda ela repousara.

Em Atenas foi acolhida por Celeu, e reconhecida à sua hospitalidade ensinou, a seu filho Triptólemo, a arte da agricultura. Além disso, deu-lhe um carro puxado por dois dragões, enviou-o pelo mundo para restabelecer a lavoura, e para isso deu-lhe uma provisão de trigo. Depois foi recebida por Flipotoon e sua mulher Meganisa, recusou o vinho que eles lhes ofereciam, por não convir à sua tristeza, nem ao seu luto.

Passando em Lícia, transformou em rãs os camponeses que haviam turvado a água de uma fonte onde ela queria matar a sede. Um fato idêntico é atribuído pelos poetas à deusa Latona.

Finalmente, depois de haver percorrido o mundo sem saber nada a respeito da filha, voltou à Sicília, onde a ninfa Aretusa a informou de que Prosérpina era mulher de Plutão e rainha dos Infernos.

Na Sicília, todos os anos, em comemoração da partida de Ceres para as suas longas viagens, os insulares, vizinhos do Etna, corriam durante a noite, com fachos iluminados, soltando grandes gritos.

Festas de Ceres

Na Grécia, as Demetrias, Cereais ou festas de Ceres eram numerosas. As mais curiosas eram certamente aquelas em que os adoradores da deusa se fustigavam mutuamente com chicotes feitos de cascas de árvores. Em Atenas havia duas festas solenes em honra de Ceres, uma chamada Eleusínia, a outra Temosforia. Dizia-se que tinham sido instituídas por Triptólemo. Imolavam-se porcos, por causa dos estragos que causam aos bens da terra, e nessas ocasiões faziam-se libações de vinho doce.

Mais tarde essas festas foram introduzidas em Roma: eram celebradas pelas damas romanas vestidas de branco. Mesmo os homens, simples espectadores, vestiam-se com tecidos da mesma cor. Havia a crença de que essas festas, por serem agradáveis à deusa, não deviam ser celebradas por gente de luto. Foi por esta razão que elas foram omitidas no ano da batalha de Canes.

Adoração da Deusa Ceres (Demeter)

Além do porco, da porca, ou da marrã, Ceres aceitava também o carneiro como vitima. Nas suas solenidades, as grinaldas de que se fazia uso eram de mirto ou de narciso; mas as flores eram interditas porque, colhendo-as, Prosérpina foi raptada por Plutão.Só a papoula lhe era consagrada, não só porque cresce no meio dos trigais, como também porque Júpiter fez com que Ceres a comesse para dar-lhe sono e por conseguinte uma trégua à sua dor.

Os mistérios de Ceres

Em Creta, na Sicília, na Lacedemônia e na maior parte das outras cidades do Peloponeso, celebravam-se periodicamente as Eleusínias ou mistérios de Ceres. São, porém, os mistérios de Eleusis os mais notáveis. Daí passaram a Roma, onde subsistiram até o reinado de Teodósio.

Esses mistérios eram divididos em grandes e pequenos. Os pequenos eram um ensaio para os grandes; celebravam-se perto de Atenas, às margens do Ilissus. Eles conferiam uma espécie de noviciado.

Depois de um certo lapso de tempo mais ou menos longo, o noviço era iniciado nos grandes mistérios, no templo de Eleusis, durante a noite. Quatro ministros presidiam às cerimônias da iniciação.

O arconte-rei de Atenas era o superintendente das festas de Eleusis. Os ministros subalternos eram muito numerosos e distribuídos em várias classes, segundo a importância das misteriosas funções. As festas de Eleusis duravam nove dias, cada ano, no mês de setembro.

Durante esses nove dias, fechavam os tribunais. Desde o berço, os atenienses iniciavam os seus filhos nos mistérios de Eleusis.

Era proibido, mesmo às mulheres, fazer-se conduzir ao templo sobre qualquer veículo. Os iniciados se consideravam como colocados sob a tutela e a proteção de Ceres, e se prometiam uma felicidade sem limites.

Nesses mistérios, as cerimônias eram sem dúvida emblemáticas: supõe-se que tinham analogia unicamente com as evoluções dos astros, com a sucessão das estações e com a marcha do Sol. Tudo isso é pura hipótese, pois o silêncio era religiosamente observado pelos iniciados.

 

A Representação de Ceres

Ceres
Ceres é habitualmente representada sob o aspecto de uma bela mulher, de talhe majestoso, e tez rosada; os seus olhos são lânguidos, os cabelos louros, caindo desordenadamente sobre os ombros.

Além de uma coroa de espigas de trigo usa um diadema mais alto. As vezes é coroada por uma grinalda de espigas ou de papoulas, símbolo da fecundidade. O seu peito é forte, os seios opulentos; segura com a mão direita um feixe de espigas, e com a esquerda uma tocha ardente.

O vestido cai-lhe até os pés, e muitas vezes leva um véu atirado para trás. As vezes representam-na com um cetro ou uma foice; duas criancinhas junto do seu seio, cada uma segurando uma cornucópia, indicam que ela é a nutriz do gênero humano. Traz um vestido amarelo, cor dos trigos maduros.

Aqui ela é representada na atitude triunfante da deusa das searas. Está inteiramente vestida, símbolo da terra que oculta aos olhos a sua força fecunda e só deixa ver o que produz.

Com a mão direita prende o véu sobre o ombro esquerdo; com a outra aperta contra si um ramalhete dos campos; a coroa de espigas está colocada sobre a cabeleira artisticamente disposta, e levanta ao céu um olhar satisfeito com expressão de reconhecimento pelos outros deuses que a secundaram.

 

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