Dionísio (Baco) – O Deus Grego da Mitologia

Dionísio (ou Baco) era filho de Zeus (Júpiter) e de Semele, princesa tebana, filha de Cadmo.

Hera (Juno), sempre ciumenta, e querendo fazer morrer ao mesmo tempo a mãe e o nascituro, foi procurar a princesa, sob a fisionomia de Beroe, sua ama, e lhe aconselhou que exigisse de Zeus a graça de apresentar-se diante dela em toda a pompa de sua glória.


Semele seguiu esse pérfido conselho- Zeus, depois de muita resistência, acedeu enfim ao pedido de sua amada, e lhe aparece em seguida no meio de raios e relâmpagos. O palácio pegou fogo, e Semele sucumbiu no meio das chamas. Não obstante, a expectativa de Hera foi iludida. Por intermédio de Vulcano, Zeus retirou Dionísio do incêndio.

Macris, filha de Aristéia, recebeu a criança nos seus braços e a entregou a Zeus, que a pós na sua coxa, onde a guardou o tempo necessário para nascer.

Deus-Dionisio

 

Contam outros que as ninfas o retiraram do meio das cinzas maternas, e se encarregaram da sua educação.

Seja como for, Dionísio passou toda a sua infância longe do Olimpo e dos olhos malévolos de Hera, nos campos de Nisa, cidade fabulosa da Arábia-Feliz, ou talvez das Índias. Aí, sua tia, por ordem de Zeus, vigiou a sua primeira educação com o auxílio das Hiades, das Horas e das Ninfas, até que chegou à idade de ser confiado aos cuidados das Musas e de Sileno.

Quando cresceu, conquistou as Índias com um bando de homens e mulheres, conduzindo tirsos e tambores em vez de armas. A sua volta foi uma marcha triunfal, dia e noite. Em seguida esteve no Egito, onde ensinou a agricultura e a arte de extrair o mel; plantou a vinha e foi adorado como deus do vinho.

Dionísio triunfou sobre todos os inimigos e de todos os perigos a que o expunham as incessantes perseguições de Hera.

Na guerra dos gigantes transformou-se em leão, e combateu com raiva. Para animá-lo, Zeus bradava-lhe sem cessar:

“Evoé, coragem meu filho!”

Na ilha de Naxos, consolou e desposou Ariana, abandonada por Teseu, e lhe deu a famosa coroa de ouro, obra-prima de Vulcano. Diz-se que foi Dionísio quem primeiro estabeleceu uma escola de música; em honra sua deram-lhe as primeiras representações teatrais.

Sileno, marido da sua ama-de-leite, e ao mesmo tempo seu preceptor, era filho do Mercúrio ou de Pã, e de uma ninfa.

O Deus Embragado

De ordinário representam-no com uma cabeça calva, com um grande nariz arrebitado, pequeno mas corpulento, as mais das vezes montado em um burro, e, como está sempre ébrio, mantém-se a custo sobre a sua montada. Se está a pé, caminha a passos trôpegos, apoiado a um bastão ou a um tirso, espécie de comprida azagaia.

E facilmente reconhecido pela sua coroa de hera, pela taça que empunha, pelo ar jovial e mesmo um pouco chocarreiro.

Apesar de uma figura tão pouco lisonjeira, Sileno, quando não estava embriagado, era um grande sábio capaz de dar ao seu divino discípulo lições de filosofia.

Em uma égloga de Virgílio, os vapores do vinho não impedem a esse estranho velho de expor a sua doutrina sobre a formação do mundo.

Orgias e Bacanais

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As orgias ou bacanais eram primitivamente celebradas por mulheres, nos bosques, nas montanhas, entre os rochedos. Afetavam um caráter misterioso. Mais tarde foram admitidas à sua celebração pessoas de ambos os sexos. Muitas vezes resultavam inqualificáveis desordens.

Em Atenas, as festas de Dionísio, – as Dionisíacas se celebravam oficialmente com mais pompa do que em todo resto da Grécia, e eram presididas pelo primeiro arconte. As principais cerimônias consistiam em procissões em que se conduziam tirsos, vasos cheios de vinho, coroas de pâmpano, e os mais importantes atributos de Dionísio.

Mulheres, chamadas canéforas, levavam na cabeça cestas douradas, cheias de frutos, donde se escapavam serpentes domesticadas que aterrorizavam os espectadores. Figuravam também no cortejo homens disfarçados em Silenos, Pã e Sátiros, fazendo mil gestos, mil cabriolas, simulando as loucuras da embriaguez.

Distinguiam-se as grandes e as pequenas dionisíacas: aquelas se celebravam em fevereiro, estas no outono. Por ocasião dessas festas, não só se instituíram corridas, lutas, divertimentos, como também concursos de poesia e de representações dramáticas.

Em Roma se celebravam em honra de Dionísio ou Liber as festas chamadas Liberais. Nessas solenidades licenciosas, as damas romanas não coravam de receber propostas indecentes e de coroar as menos honestas representações do deus. No ano 558 da fundação da cidade, o senado promulgou um decreto para remediar esse abuso, – remédio ineficaz, porém, visto que os costumes eram mais fortes que as leis.

Coisa notável: a Dionísio e a Mercúrio faziam-se libações de vinho com água, enquanto que aos outros deuses, elas eram de vinho puro.

Só muito tarde o culto de Dionísio ou Dionísio foi introduzido na religião grega; pelo menos é muito posterior ao dos grandes deuses propriamente ditos; parece que foi levado à Grécia da Alta Ásia ou talvez do Egito. Em todo caso, o fato de ter Dionísio aparecido um pouco tarde não lhe diminuiu o número de adoradores.

Adoração do Deus Dionísio (Dionísio)

O cortejo de Dionísio era muito numeroso. Sem contar Sileno e as Bacantes, viam-se ninfas, sátiros, pastores. pastoras, e mesmo o deus Pã. Todos levavam o tirso enlaçado com folhagens, cepas de vide, coroas de hera, taças e cachos de uva. Dionísio abre a marcha, e todo o cortejo o segue, dando gritos e fazendo ressoar ruidosos instrumentos de música,

As Bacantes ou Menades eram primitivamente as ninfas ou as mulheres que Dionísio tinha levado consigo para a conquista das índias. Mais tarde designaram-se por este nome as raparigas que, simulando transportes báquicos, celebravam as orgias ou festas de Dionísio, com posições estudadas, gritos e saltos desordenados. Os seus olhos eram ferozes, a voz ameaçadora; a cabeleira esparsa flutuava sobre os ombros nus.

Representação do Deus Dionísio

dionisioDionísio é geralmente representado com cornos, símbolo da força e do poder, coroado de pâmpanos, de hera ou de figueira, sob a aparência de um jovem risonho e festivo. Com uma das mãos segura um cacho de uvas ou um chifre em forma de taça; com a outra um tirso cercado de folhagens e de fitas. Os olhos são negros, e, sobre as espáduas, a sua longa cabeleira loira com reflexos dourados, cai em tranças ondeadas.

A maior parte das vezes representam-no imberbe, pois que a sua mocidade é eterna como a de Apoio. Veste-se com um manto de púrpura.

Ora está sentado em um tonel, ora em um carro tirado por tigres ou panteras, algumas vezes por centauros, dos quais uns tocam a lira, outros a flauta. Nos monumentos mais antigos é representado com uma cabeça de touro; em algumas medalhas pintam-no de pé, barbado, com uma túnica triunfal que desce até os pés. O Museu do Louvre possui várias estátuas de Dionísio, entre outras a de Dionísio em repouso.

Imolavam-lhe a pega, porque o vinho solta a língua e torna os bebedores indiscretos; o bode e a lebre porque comem os renovos das vides.

Entre os pássaros fabulosos a fênix era-lhe consagrada; entre os quadrúpedes, a pantera; e entre as plantas a vinha, a hera, o carvalho e o pinheiro.

Na Arcádia esse deus tinha um templo, onde, diante dos seus altares, as mulheres eram cruelmente flageladas.

Às vezes é chamado Liber (Livre), porque o deus do vinho liberta o espírito de qualquer cuidado; Evã, porque as suas sacerdotisas, durante as orgias, corriam de todos os lados gritando: Evoé, Baço! termo derivado de uma palavra grega que significa “gritar”, alusão aos gritos das bacantes e dos grandes bebedores.

Categoria: Deuses Gregos