Hera – Deusa Grega Juno da Mitologia

A Deusa Hera (Juno) era filha de Saturno e de Réia, irmã de Júpiter, de Netuno, de Plutão, de Ceres e de Vesta.

Como se dava a cada deus uma atribuição particular, assim Hera era encarregada da partilha dos remos, dos impérios e das riquezas; foi também o que ela ofereceu ao pastor Páris se este quisesse conferir-lhe o prêmio de beleza.


Dizia-se que tinha um cuidado particular pelos atavios e ornatos das mulheres: é por isto que nas estátuas, os seus cabelos apareciam tão elegantemente arranjados. Presidia às núpcias, aos casamentos e aos panos. Então, segundo o caso, era invocada sob os nomes de Pronuba, Joga, Lucina, etc… Também presidia à moeda, a que deu nome de Moneta.

O culto de Hera era quase tão solene e espalhado como o de Júpiter. Ela inspirava uma veneração misturada de receio. Era principalmente em Argos, Samos e Cartago que era venerada.

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Em Argos, a sua estátua sobre um trono de ouro, de um tamanho extraordinário, era de ouro e marfim; sobre a cabeça uma coroa, em cima de qual estavam as Graças e as Horas. Com uma das mãos segurava uma romã, com a outra um cetro, em cuja extremidade estava um cuco, pássaro amado da deusa.

Em Samos a estátua de Hera tinha também uma coroa; chamavam-na a rainha Hera; estava coberta com um grande véu da cabeça aos pés.

Em Lanuvium, na Itália, a hino tutelar trazia uma pele de cabra, um dardo, um pequeno broquei e escarpins recurvados em ponta para a frente.

Ordinariamente é representada por majestosa matrona, algumas vezes com um cetro na mão, ou uma coroa cheia de raios na cabeça; a seus pés está um pavão, ave que lhe era predileta.
O gavião e o ganso também lhe eram consagrados; algumas vezes estavam juntos das suas estátuas.

Não se lhe sacrificavam vacas, porque durante a guerra dos Gigantes e dos deuses, ela se ocultara no Egito sob essa forma. O díctaino, a papoula, a romã eram-lhe ofertados; essas plantas ornavam os seus altares e imagens. Era sempre uma ovelhinha a vítima sacrificada em honra sua; não obstante, no primeiro dia de cada mês, imolava-selhe uma porca. As sacerdotisas de hino eram universalmente respeitadas.

Diz-se que as querelas de Hera e de Júpiter são apenas uma alegoria; representam as perturbações do ar ou do céu.

Assim Hera seria a imagem da atmosfera tantas vezes agitada, escura e ameaçadora. Quanto a Júpiter devia personificar o éter puro, a serenidade do firmamento, além das nuvens e dos astros. De resto, uma expressão da língua latina parece justificar essa concepção.

Do mesmo modo que os franceses dizem: passar a noite “à Ia belle étoile”, isto é, ao relento, ao acaso, ao ar livre – ao Deus dará, – os latinos diziam “passar a noite sob Júpiter”. Em latim o nome desse deus é poeticamente empregado no sentido de chuva, fenómeno este, que como o raio, era inexplicável para os antigos.

 

A Lenda de Hera na Mitologia

Foi criada, segundo Homem, pelo Oceano e por Tetis; outros dizem que foram as Horas que cuidaram da sua educação.

Ela desposou Júpiter, seu irmão gêmeo. As suas núpcias se celebraram em Creta, no território dos gnossianos, perto do rio Tereno. Para tornar as suas bodas mais solenes, Júpiter ordenou a Mercúrio que para elas convidasse a todos os deuses, todos os homens e todos os animais. Todos compareceram, menos a ninfa Quelone, bastante temerária para não fazer caso desse casamento e que foi mudada em tartaruga.
Júpiter e Hera (Juno) não viviam em boa inteligência: estalavam discórdias entre eles. Ela foi mais de uma vez batida e maltratada por seu esposo, por causa do seu humor rabugento. Júpiter chegou a suspendê-la entre o céu e a terra com uma cadeia de ouro, e a pôr-lhe uma bigorna em cada pé.

Vulcano, seu filho, tendo querido soltá-la de lá, foi, com um pontapé, atirado do céu à terra, de cabeça para baixo. As infidelidades de Júpiter em favor das belas mortais excitaram e justificaram muitas vezes o ciúme e o ódio de Hera.

Por sua parte essa irascível deusa teve intrigas amorosas, principalmente com o gigante Eurimedon. Conspirou com Netuno e Minerva para destronar Júpiter, e o envolveu em laços. Mas Tetis, a Nereida, conduziu o formidável Briareu em auxilio de Júpiter: bastou a presença do gigante para impedir que os conspiradores continuassem nos seus desígnios.

Hera perseguiu todas as concubinas de Júpiter e todas as crianças nascidas dos seus ilegítimos amores, – Hércules, lo, Europa, Semele, Platéia, etc. Diz-se que ela sentia profunda aversão pelas mulheres inconstantes e delinqüentes.

Os Filhos da Deusa Hera

Teve vários filhos: Hebe, Vulcano, Marte, Tifon, Ilítia, Argeu. Na guerra de Titia fez causa comum com Minerva pelos gregos contra os troianos, que não cessou de perseguir com o seu ódio, mesmo depois de destruída a cidade. Na Ilíada, ela toma a semelhança de Stentor, um dos chefes gregos, cuja voz mais sonora que o bronze e mais forte que a de cinqüenta homens robustos reunidos, servia de trombeta no exército.

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