Deuses Penates, Telquinos e Cabiros – Coribantes e Curetes: Mitologia

Neste artigo falaremos sobre algumas divindades não muito populares da mitologia grega, mas muito interessantes. São elas: Deuses Penates, Coribantes e Curetes, Telquinos e Cabiros.

Cabiros

Em certas ilhas da Grécia, o culto das divindades arcaicas, anteriores à religião nacional, perpetuara-se e mantivera-se durante longos séculos, ao lado do culto nacional. Até a conquista da Grécia, e mesmo até os últimos dias da República Romana, essas divindades pré-históricas tinham ainda, se não ministros, ao menos fiéis adoradores.


A iniciação nos mistérios dessas divindades, as mais antigas do mundo mitológico, era um favor sempre desejado. A supremacia dos deuses do Olimpo não alterara nem a lembrança desses poderes misteriosos, nem o sentimento da sua grandeza.

Nessa classe estão os Cabiros de Samotrácia, os Telquinas de Rodes, os Dátilos, os Curetes, os Coribantes de Creta. É muito difícil, talvez impossível, dar informações minuciosas sobre a origem, o caráter e o culto desses deuses. Os autores não estão de acordo sobre esse ponto.

cabiros

De resto, sendo os iniciados nos mistérios obrigados a guardar um silêncio absoluto sobre as suas crenças e as suas práticas religiosas, é natural que se tenham cometido raras indiscrições. Mesmo na antiguidade só há sobre o assunto sim-pies conjecturas.

Os Cabiros eram filhos de Vulcano; era essa a opinião geralmente aceita, se bem que alguns autores fizessem-nos filhos de Júpiter ou de Prosérpina. Eles exploravam o feno, principalmente o de Samotrácia, mas trabalhavam em todos os metais. Talvez o seu culto tenha vindo do Egito, pois em Menfis eles tinham um templo; entretanto supõe-se que veio da Frigia.

Em Samotrácia estabeleceram esses mistérios famosos cujo conhecimento era o objeto dos desejos de quantos se distinguiam pela sua coragem e pelas suas virtudes. Segundo a fábula, Cadmo, Orfeu, Hércules, Castor, Pólux, Ulisses, Agamemnon, Enéias fizeram-se iniciar; nos tempos históricos, Filipe, pai de Alexandre, aspirou e conseguiu a honra dessa iniciação.

Os pelasgos, na época de sua migração à Grécia, levaram essas festas misteriosas para Atenas. Lica, que saiu dessa última cidade e que mais tarde se tornou rei da Messênia, estabeleceu-as em Tebas; os seus sucessores celebravam-nas nos Estados.

Enéias fez conhecer na Itália o culto dos Cabiros; Alba o recebeu, e Roma elevou no circo três altares a esses deuses que eram invocados nos infortúnios domésticos, nas tempestades e sobretudo nos funerais, sem nunca designá-los pelo seu próprio nome. Referiam-se a eles somente em termo geral: “Deuses poderosos ou deuses associados”.

Alguns autores pretenderam, mas sem prova, que os deuses eram Plutão, Prosérpina e Mercúrio, divindades infernais ou que presidem à morte. Sendo o culto dos Cabiros muito anterior ao desses deuses, só se deve conservar dessa suposição o caráter fúnebre desses poderes misteriosos e divinos.

Nas iniciações o candidato era submetido a provas honrosas mas sem perigo; depois revestiam-no com trajos magníficos, faziam-no sentar sobre um trono aclarado por mil luzes; punham-lhe na cabeça uma coroa de oliveira, uma cinta de púrpura em redor dos rins, e a seus olhos os outros iniciados executavam danças simbólicas.

Pretenderam outros autores que os Cabiros, na sua origem, eram apenas hábeis mágicos que se encarregavam de expiar o crime dos homens por meio de certas formalidades ou cerimônias. Os grandes culpados iam ter com eles, e voltavam absolvidos e tranquilos. Quando os Cabiros morreram, fizeram-nos deuses, e as suas cerimônias de expiação talvez se tenham tomado o fundo dos seus mistérios.

Em uma medalha de Trajano está representado um deus Cabiro; a cabeça está coberta com um gorro, terminando em ponta; com uma das mãos segura um ramo de cipreste, e com a outra um esquadro. Cobre-lhe as espáduas um manto, e seus pés estão calçados com coturnos.

Em Tebas, em Lemnos, e sobretudo em Samotrácia, as Cabinas, ou festas solenes em honra dos Cabiros, celebravam-se à noite.

Telquinos

Os Telquinos, filhos do Sol e de Minerva, habitaram muito tempo a ilha de Rodes. Como os Cabiros, com os quais têm mais de um traço de semelhança, eles se dedicavam à metalurgia e à feitiçaria. Pretendia-se que esses mágicos, regando a terra com água do Estige, tornavam-na estéril e provocavam a peste. Por esta razão os gregos denominavam-nos os Destrutores. Conta Ovídio que por fim Júpiter enterrou-os sob as ondas, e mudou-os em rochedos. Não eram menos venerados na ilha de Rodes, onde o seu culto, de um caráter misterioso, tornou-se célebre.

Como os Telquinos eles eram filhos do Sol e de Atena, segundo uns, de Saturno e de Alcíope, segundo outros. Há mesmo quem pretenda que eles sejam filhos de Júpiter e da ninfa Ida, porque, tendo ele ordenado às amas que atirassem para trás um pouco de poeira da montanha, dessa poeira nasceram os Dátilos.

Eram homens industriosos; como sacerdotes, ofereciam a Réia ou a Terra sacrifícios nos quais eles se presentavam com coroas de carvalho. Depois de sua morte, foram venerados como deuses protetores, os deuses Lares.

Eram chamados os Dedos do monte Ida, sem dúvida porque nessa montanha eles tinham as suas foijas.

Coribantes e Curetes

Os Coribantes e os Curetes, nascidos na Frigia, estabeleceram e praticaram em Creta o culto de Cibele. Tendo concorrido para salvar Júpiter da voracidade de Saturno e para educá-lo, receberam as honras divinas. Tinham mesmo uma espécie de supremacia sobre os Dátilos e outras divindades secundárias de Creta. Eram também considerados como poderes tutelares.

Os seus sucessores, chamados como eles Coribantes, Curetes, Galos, eram os sacerdotes especialmente encarregados do culto de Cibele. Abstinham-se de comer pão, e solenizavam as suas festas com um grande tumulto e danças frenéticas; ao som da flauta, ao ruído dos tambores, saíam num delírio que se considerava como profético ou inspirado.

Os Deuses Penates

Os povos, nas suas migrações, não esqueciam de levar com eles, não somente o culto de seu país de origem, como principalmente as estátuas antigas, veneradas pelos seus antepassados. Esses ídolos ficavam sendo uma espécie de talismã nos novos Estados ou nas novas cidades, e eram chamados os deuses Penates.

As pequenas aldeias, as simples povoações, as humildes casas tinham os seus deuses, assim como as grandes cidades e os vastos países. Tróia teve o seu Paladium, a estátua de Minerva, protetora e guarda dos seus destinos; Roma teve os seus Penates. O culto desses deuses é originário da Frigia e da Samotrácia.

Tarquínio, o Antigo, instruído na religião dos Cabiros, elevou um só templo a três divindades Samotrácias que mais tarde se chamaram os Penates dos romanos.

As famílias escolhiam livremente os seus Penates entre os grandes deuses ou os grandes homens deificados. Esses deuses, que é preciso não confundir com os deuses Lares, transmitiam-se como herança de pais a filhos. Em cada habitação reservavam-lhes um lugar, ao menos um retiro, quase sempre um altar e algumas vezes um santuário.