Fúrias: Eumênides ou Erinies – Mitologia Grega

As Fúrias ou, por antífrase, as Eumênides, isto é, em grego as Benévolas, são também chamadas as Erínies. Essas divindades infernais encarregadas de executar sobre os culpados a sentença dos juízes, devem o seu nome ao furor que inspiram.

Ministros da vingança dos deuses elas devem existir desde a origem do mundo; são velhas como o crime que perseguem, como a inocência que procuram’ vingar. Segundo uns, elas foram formadas no mar com o sangue de CIo, quando esse antigo deus foi ultrajado e ferido por Saturno. Segundo Hesíodo, que as faz mais moças uma geração, elas nasceram da Terra que as gerara com o sangue de Saturno ferido por Júpiter.


Em outra passagem esse poeta fê-las filhas da Discórdia. Esquilo pretende que elas são filhas da Noite e de Aqueronte. Finalmente Sófocles dá-lhes por pais a Terra e as Trevas; Epimênia crê que elas são filhas de Saturno e de Evônime, irmã de Vênus e das Parcas. Elas exerceram o seu poder, não somente nos Infernos, mas também na Terra e até no Céu.

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As mais conhecidas das Fúrias, as mais geralmente citadas pelos poetas, são: Tisífone, Megera e Alecto. Tisífone, vestida com uma roupa ensangüentada, vela dia e noite sentada à porta do Tártaro. Desde que a sentença dos criminosos é pronunciada, ela se arma do seu látego vingador, açoita-os impiedosamente e insulta-os quando eles se lamentam; na mão esquerda segura horríveis serpentes, e chama as suas bárbaras irmãs para auxiliá-la.

Era ela quem, para punir os mortais, espalhava a peste e os flagelos contagiosos; foi ainda ela quem perseguiu Etéoclo e Polínice e fez nascer entre eles esse ódio invencível que sobreviveu à sua morte. Essa Fúria tinha no monte Cíteron um templo cercado de ciprestes, onde Edipo, cego e banido, foi procurar asilo.

Megera, sua irmã, tem por missão semear as discórdias e as disputas entre os homens. E ela também quem persegue os culpados com maior sanha. Alecto, a terceira Fúria, não deixa os criminosos em repouso, e atormenta-os sem descanso.

Odiosa ao próprio Plutão, ela só respira vingança, e toma todas as formas para trair ou satisfazer a sua raiva. Representam-na armada de víboras, de arcotes e de chicotes, e a cabeleira enrodilhada de serpentes.
Algumas vezes se designa por Erínies a primeira das Fúrias, nome que se generalizou para determiná-las em conjunto. As Erínies tinham um templo perto do Areópago, em Atenas, que servia de asilo inviolável aos criminosos.

Era aí que todos quantos devessem comparecer ante esse tribunal ficavam na obrigação de oferecer um sacrifício e de jurar sobre os altares, que tinham o ânimo de dizer a verdade. Nos sacrifícios em honra das Erínies, Eumênides ou Fúrias, empregavam-se o narciso, o açafrão, a genebra, o espinheiro selvagem, o cardo, o sabugueiro ou o ébulo e queimava-se lenha de cedro, de amieiro e de cipreste. Imolavam-lhes ovelhas grávidas, carneiros e rolas.

Adoração das Deusas Fúrias – Eumênides

Essas temíveis deusas recebiam por toda parte homenagens especiais: era com respeito que se lhes pronunciava o nome, e mal se ousava relancear os olhos sobre as estátuas e santuários que lhes eram consagrados.
Alguns autores confundiam Erínies com Nemesis, e por conseguinte as Erínies com as Nemésias. Estas, segundo

Hesíodo, eram apenas duas; uma, o Pudor, regressou ao céu depois da idade de ouro; a outra, a verdadeira Nemesis, filha de Érebo e da Noite, permaneceu na terra e nos Infernos, para velar pela punição dos crimes e pela execução das leis imprescritíveis da Justiça. Ela cuidava especialmente das ofensas que os filhos faziam aos pais.

Nemesis era invocada nos tratados de paz, aos quais assegurava uma estrita observação; era ela quem mantinha a fé jurada, quem vingava a infidelidade das promessas, quem recebia os juramentos secretos, fazia curvar as cabeças orgulhosas, tranquilizava os humildes, e consolava os amantes abandonados.

Em um mosaico de Herculano vê-se a infeliz Ariana consolada por Nemesis; o navio de Teseu fende os mares e se afasta, enquanto que ao lado da filha de Minos, o Amor se esconde e derrama lágrimas.

Em resumo, as Fúrias e as Nemésias tinham por missão manter a ordem e a harmonia na família, na sociedade e no mundo moral. Inspiravam o medo dos remorsos, dos castigos inevitáveis, e assim faziam compreender aos homens as doçuras de uma consciência honesta e as vantagens da virtude. Nemesis, pousando um dedo sobre a boca, segurando um freio ou um aguilhão, dava a entender que a todos recomendava a discrição, a prudência, a moderação na conduta, ao mesmo tempo que excitava ao bem.