Perséfone (Prosérpina) – Deusa da Mitologia Grega

Filha de Ceres e de Júpiter (Zeus), Perséfone (Prosérpina) foi raptada por Plutão, num dia que estava colhendo flores, apesar da resistência teimosa de Cianéia, sua companheira.

Ceres acabrunhada de mágoa pela perda da filha, ao voltar de suas longas viagens através do mundo sem obter notícias dela, soube enfim por Aretusa, ou pela ninfa Cianéia, o nome do raptor.


Indignada, pediu a Júpiter que fizesse a filha voltar dos Infernos; Júpiter concedeu, com a condição porém de que lá nada ainda ela houvesse comido. Ascalafo, filho de Aqueronte e oficial de Plutão, informou tê-la visto comer seis grãos de romã depois da sua entrada nas moradas sombrias.

Por esse motivo Perséfone  foi condenada a ficar nos Infernos como esposa de Plutão e rainha do império das Sombras. Segundo outros, Ceres obteve de Júpiter que Perséfone  passasse seis meses do ano em sua companhia. O lugar do rapto dessa deusa não está bem determinado; segundo uns foi na Sicilia, ao pé do monte Etna, segundo outros foi na Ática, ou na Jônia.

Outros ainda escolheram como lugar dessa cena a floresta perto de Megaro, que a tradição considerou sagrada. Orfeu, pelo contrário, diz que a deusa foi conduzida ao mar pelo seu perigoso amante, e que desapareceu no meio das ondas.

Nessa fábula alguns mitólogos julgaram ver o emblema da germinação.

Era crença geral que ninguém podia morrer sem que Perséfone , por suas próprias mãos, ou por intervenção de Atropos, lhe tivesse cortado um fio de cabelo pelo qual estava presa a vida.

Na Sicília o culto dessa deusa era o mais solene, e os sicilianos não podiam garantir a fidelidade das suas promessas por um juramento mais forte do que o de Prosórpina. Nos funerais, as pessoas batiam no peito em louvor à deusa; os amigos, os servidores do morto, cortavam algumas vezes os cabelos e os atiravam na pira fúnebre para abrandar essa divindade. Imolavam-lhe cães, como Ilécate, e sobretudo vitelas estéreis. Os árcades consagraram-lhe um templo sob o nome de Conservadora, porque invocavam Perséfone  para encontrar os objetivos perdidos.

Representação e simbolismo da Deusa Perséfone

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Perséfone é ordinariamente representada ao lado do seu esposo, sobre um trono de ébano, tendo na mão um facho donde sai uma chama envolta em fumaça negra. Na cena do rapto, ela parece desmaiada de terror no carro que deve transportá-la aos Infernos. A papoula é o seu atributo favorito. Se algumas vezes põe-se-lhe na mão direita um ramalhete de narciso, é, diz-se, porque ela estava colhendo essa flor primaveril, quando foi surpreendida e raptada por Plutão.

Davam a Perséfone , em grego, o nome de Coréia, isto é “rapariga”, porque supunham que a rainha do império dos Mortos não devia ter filho, ou porque ainda era uma adolescente quando desceu dos Infernos. Ela teve, porém, um filho de Júpiter que se fez amar sob a forma de uma serpente. Esse filho, chamado Sabásio, era de uma habilidade notável; foi ele quem coseu Baco na coxa de seu pai.

Perséfone  e Plutão não eram sempre e em toda parte considerados como divindades infernais. Alguns povos, que se dedicavam sobretudo à agricultura, veneravam-nos como divindades misteriosas da fecundação da terra, e não davam começo às semeaduras sem que lhe tivessem feito sacrifícios.