Sátiros, Silenos e Egipãs – Mitos da Mitologia Grega

Ao lado das divindades campestres, protetoras da Natureza, guardas vigilantes da vida, dos bens, dos interesses do homem, os poetas tinham imaginado uma infinidade de seres mais fantásticos do que divinos, que não tiveram outro papel na fábula além do de povoar, alegrar e, às vezes, perturbar as solidões das montanhas e dos bosques.

Egipãs

Os Egipãs, cujo nome grego significa cabra-pã, pertenciam a esse número. Eram uns homenzinhos peludos, com chifres e pés de cabra. Os pastores julgavam ver esses pequenos monstros humanos saltar nos rochedos, no flanco das colinas, e desaparecer nas cavidades ou grutas misteriosas.


Conta-se que o primeiro Egipã era filho de Pá e da ninfa Ega. Inventou a trombeta, feita com uma concha marinha, e por esse motivo é representado com uma cauda de peixe. Diz-se que havia na Líbia certos monstros aos quais se dava o mesmo nome. Esses seres híbridos tinham a cabeça de cabra e a cauda de peixe. Assim se representa o Capricórnio.

Sátiros

Os Sátiros, espalhados nos campos, tinham com o Egipã uma extraordinária semelhança; talvez se distingam dele por um talhe maior. Mas eram como ele, muito peludos, com as orelhas de cabra, a cauda, as coxas e os pelos do mesmo animal; algumas vezes representam-nos com forma humana, não tendo da cabra senão os pés.

Esses seres eram dotados de todas as malícias e de todas as paixões: escondidos atrás das árvores, ou deitados nas vinhas e nas ervas, surgiam inopinadamente para assustar as ninfas, e persegui-Ias rindo do seu terror.

Diz-se que os primeiros Sátiros nasceram de Mercúrio e da ninfa lftimé, ou de Baco e da náiade Nicéia, que ele embriagara, mudando em vinho a água de uma fonte onde ordinariamente ela bebia. Dizem alguns poetas que primitivamente os Sátiros tinham a forma inteiramente humana.

Eles guardavam Baço; mas como esse deus, apesar de todos os seus guardas, metamorfoseava-se ora em bode, ora em rapariga, Juno, irritada com essas transformações, deu aos Sátiros chifres, orelhas e pés de cabra. Persuadidos de que os campos estavam cheios dessas divindades maliciosas e maléficas, os pastores e as pastoras temiam pelos rebanhos e por eles mesmos; para apaziguar esses gênios faziam-lhes sacrifícios e ofertas dos primeiros frutos e das primícias dos rebanhos.

Silenos

Já se viu que Sileno, companheiro e preceptor de Baço, era um velhinho calvo, corpulento, de nariz arrebitado, de riso alegre, o passo trôpego e quase sempre em estado de embriaguez. E verdade que alguns poetas, Virgílio entre outros, considerando que Sileno não somente é velho, mas que como deus acompanhou a outro deus em suas longas viagens, dão-lhe uma grande experiência e profundo saber.

Apesar disso foi a primeira concepção que se estabeleceu no conceito e nas memórias dos povos: por isso davam o nome de Silenos aos Sátiros que envelheciam. Realmente era crença de que esses seres de apetites grosseiros não tinham na sua velhice outro prazer além do da embriaguez, e era por aí que terminavam a existência.

Os Silenos, com efeito, eram considerados mortais; nos arredores de Pérgamo viam-se muitas sepulturas suas.