Hércules – Mitologia Grega, História, Como Morreu, Esposas e Quem Foi?


Neste artigo veremos a história de um dos maiores heróis da mitologia grega, Hércules. Continue lendo e conheça a fantástica história do herói.

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Quem foi Hércules?

Homero dá o nome de heróis aos homens que se distinguem pela força, pela coragem, pelos empreendimentos; Hesíodo designa especialmente por esse nome os filhos de um deus e de uma mortal. O tipo de Hércules convém tanto a uma como a outra concepção.

A lenda de Hércules com variantes, com ampliações encontra-se em quase todos os povos da antigüidade, no Egito, em Creta, na Fenícia, nas índias e mesmo na Gália.

Cícero conta seis heróis com o nome de Hércules; Varron, quarenta e três. O mais conhecido, aquele a quem adoravam os gregos e os romanos, e ao qual se referem todos os monumentos, é incontestavelmente o Hércules Tebano, filho de Júpiter e de Alcmene, mulher de Anfitião.

Origem de Hércules

Tebano por nascimento, ele é, entretanto, argivo de origem. Pelo lado de Alcmene e Anfitião, pertence à família de Perseu, e, por causa do nome do seu avô paterno Alceu, é muitas vezes designado pelo de Alcides.

Anfitião, filho de Alceu, neto de Perseu, tendo, por descuido, matado Eletrião, rei de Micenas, seu tio, pai de Alcmene, afastou-se de Argos, sua pátria, e se retirou em Tebas, onde desposou a prima, que, como condição ao casamento, impôs a Anfitião vingar a morte de seu irmão, morto pelos telebranos, habitantes de pequenas ilhas do mar Jônio, vizinhos de Itaca.

Foi durante essa expedição que Júpiter, sob os traços de Anfitião, procurou Alcmene, e tornou-a mãe de Hércules, nome que significa: Glória de Hera ou de Juno.



Ao mesmo tempo que Hércules, Alcmene deu à luz a Ificlo. Anfitião, querendo saber qual dos gêmeos era seu filho, diz Apolódoro, colocou duas serpentes ao lado dos dois berços: Ificlo, horrorizado, quis fugir; Hércules, porém, estrangulou as duas ser pentes, mostrando desde o nascimento que era digno de ser filho de Júpiter.

Mas quase todos os mitólogos dizem que foi Juno quem, desde os primeiros dias de Hércules, deu provas do ódio que tinha à sua mãe, enviando dois horríveis dragões para devorá-lo; a criança, porém, sem se assustar, pô-los em pedaços.

A deusa abrandou, e a pedido de Palas, consentiu em amamentá-lo para o fazer imortal. Foi então que o leite de Juno, sugado fortemente por Hércules, espalhou-se no céu e formou a Via-Láctea.

O jovem herói teve muitos mestres: com Radamanto aprendeu a atirar o arco; Castor ensinou-lhe a combater armado; o Centauro Quiron foi o seu professor de Astronomia e Medicina; Lino, filho de Ismênio, foi o seu professor de instrumentos que se tocavam com o arco, e como Hércules desentoava, Lino repreendeu-o com alguma severidade; Hércules, pouco dócil, não suportando a censura, atirou-lhe o instrumento à cabeça, e matou-o de um golpe.

Tornou-se de uma altura extraordinária e de uma força incrível. Era também grande amador de comidas e bebidas. Um dia em que estava com fome matou um boi e comeu-o.

Para beber, possuía um imenso copo, de tal peso que, para carregá-lo, eram precisos dois homens; entretanto, para esvaziá-lo, Hércules se servia de uma só mão. O apólogo de Pródico, reproduzido por Xenofonte, merece ser contado: “Quando Hércules cresceu, retirou-se em um lugar afastado de todos, para pensar na escolha do seu gênero de vida.

Nesse retiro apareceram-lhe duas mulheres de grande estatura, uma das quais muito bonita, a Virtude; tinha um rosto majestoso e cheio de dignidade e nos seus olhos via-se o pudor, e pairava a modéstia em todos os seus gestos; estava vestida de branco.

A outra, a Moleza, ou a Volúpia, era nédia e de uma cor viva; o seu olhar ousado e as suas roupas magníficas mostravam bem quem era ela. Cada uma quis conquistar Hércules com as suas promessas; finalmente ele escolheu a Virtude, que no caso em questão é sinônimo de Valor.

Em uma medalha vê-se Hércules sentado entre Minerva e Vênus; a primeira, facilmente reconhecida pelo capacete e pela lança, é a imagem da Virtude; a outra, precedida por Cupido, é o símbolo da Volúpia.

História do Herói da Mitologia Grega

Tendo, pois, escolhido um gênero de vida duro e laborioso, foi, pela sorte do seu nascimento, apresentar-se a Euristeu, rei de Micenas, sob as ordens do qual devia empreender os seus trabalhos e as suas canseiras. Euristeu era o filho de Estênelo e de Micipe, filha de Pelops.

Tendo Júpiter jurado que, de dois rapazes que iam nascer, um filho de Estênelo, e outro de Alcmene, aquele que primeiro visse a luz do dia obteria o domínio sobre o outro, Juno, que estava irritada contra Alcmene, vingou-se em seu filho, adiantando o nascimento de Euristeu, que assim ganhava superioridade sobre o concorrente.

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Aventuras

Esse príncipe, ciumento da reputação de Hércules e receando ser um dia destronado, perseguiu-o sem descanso, e teve o cuidado de dar-lhe sempre ocupações fora dos seus Estados, para evitar que ele perturbasse a marcha do governo.

Leão de Neméia

O herói exerceu a sua grande coragem e as suas forças em empresas igualmente delicadas e perigosas, isto é, os Trabalhos de Hércules, em número de doze:

O primeiro é o combate contra o leão de Neméia. Em uma floresta vizinha de Neméia, cidade de Argólida, existia um leão de um enorme tamanho, que devastava o país. Hércules, aos dezesseis anos, atacou esse monstro, gastou sobre a sua pele impenetrável às setas, todas as flechas do seu carcás, e quebrou a dava de ferro.

Finalmente, depois de muitos e inúteis esforços, agarrou o leão, estraçalhou-o com as próprias mãos, e com as unhas arrancou-lhe a pele, que desde então vestiu e lhe serviu de escudo. O segundo é o combate contra a hidra de Lema.

No território de Argos estava o lago de Lema, cujo circuito, diz Pausânias, não tinha mais de quarenta e um passos geométricos. Era, pois um grande charco profundo, de cerca de sessenta e dois metros de circunferência.

Nessa espécie de cloaca lamacenta, vivia uma hidra terrível, – monstro de muitas cabeças, – sete, nove ou cinquenta, segundo os autores. Quando se cortava uma dessas cabeças, uma outra renascia imediatamente, a não ser que se queimasse com o fogo a ferida.

O veneno desse monstro era tão sutil, que uma flecha embebida causava infalivelmente a morte. Essa hidra devastava os campos e os rebanhos. Para combatê-la, Hércules subiu ao seu carro, guiado por JoIas, seu sobrinho, filho de Ificlo.

Juno, vendo Hércules prestes a triunfar sobre o monstro, enviou em socorro da hidra um caranguejo que o mordeu no pé.

Hércules porém esmagou-o imediatamente e a deusa pô-lo nos astros, onde forma a constelação de Câncer. Em seguida matou facilmente a hidra, cortando-lhe as cabeças de um só golpe.

O terceiro consistia em matar o javali de Erimanto. Erimanto é uma montanha cia Arcádia, célebre por um javali que destruía os arredores Hércules colheu vivo a esse terrível animal; e Euristeu, vendo o herói trazer nos ombros o javali, tomou-se de tal espanto, que se foi ocultar sob uma cuba de bronze.

A quarta foi a de apoderar-se da corça de pés de bronze. Nos declives de vales do monte Menalo, na Arcádia, existia uma corça de pés de bronze e cornos de ouro, tão rápida na carreira, que ninguém podia alcançá-la.

Essa corça deu muito trabalho ao herói, que sabendo ser ela consagrada a Diana, não queria atravessá-la com as suas flechas. Limitou-se a persegui-Ia com todo ardor, e conseguiu apanhá-la no momento em que atravessava o Ladon. O quinto foi a exterminação dos pássaros do lago Estínfale.

Na Arcádia, sobre o dito lago, viviam pássaros monstruosos, cujas asas, cabeça e bico eram de ferro, e as unhas aduncas e penetrantes. Contra aqueles que os atacavam, lançavam dardos também de ferro; e estavam amestrados pelo próprio Marte.

Essas aves eram em tão grande número e o seu tamanho era tal, que, quando voavam, as asas interceptavam o brilho do Sol. Hércules, tendo recebido de Minerva címbalos de bronze, próprios para espantar esses pássaros, serviu-se deles para atraí-los fora do bosque e então os matou a flechadas.

No sexto, domou o touro da ilha de Creta, enviado por Netuno contra Minos, e o conduziu a Euristeu. Mas este deixou escapar o perigoso animal, que foi devastar a planície de Maraton. Hércules empreendeu nova luta contra o touro, matando-o finalmente.

No sétimo, furtou os cavalos de Diomedes. Diomedes, rei da Trácia, filho de Marte e de Cirene, tinha uns furiosos cavalos que vomitavam fogo e chama. Diz-se que Diomedes os alimentava com carne humana, e lhes dava a devorar todos os estrangeiros que tinham a desdita de cair entre as suas mãos.

Hércules dominou Diomedes, entregou-o à voracidade dos seus cavalos, conduziu-os depois a Euristeu e os abandonou no monte Olimpo, onde foram estraçalhados por animais ferozes. Foi nessa expedição que Hércules construiu na Trácia a cidade de Abdero, em memória do seu amigo Albdero, morto pelos cavalos de Diomedes.

A oitava partida de Hércules é a sua vitória sobre as Amazonas. A nação das Amazonas, estabelecida às margens e vizinhanças de Ponto-Euxino, na Ásia e na Europa, tornara-se vigorosa. Essas mulheres guerreiras viviam do saque e dos produtos da caça.

As suas vestes de peles de animais ferozes eram presas ao ombro esquerdo, caindo até o joelho, e deixando a descoberto toda a parte direita do corpo. As armas se compunham de um arco, de uma aljava guarnecida de flechas ou venábulos, e de um machado.

O escudo tinha a forma de um crescente, com o diâmetro de cerca de pé e meio. Em campanha, a sua rainha usava um espartilho guarnecido de pequenas escamas de ferro, amarrado com um cinturão; e todas tinham na cabeça um capacete ornado de plumas, mais ou menos brilhantes, insígnias de sua categoria ou dignidade.

Muitas vezes estavam a cavalo; mas também combatiam a pé. Comandadas por sua rainha Pentesiléia, elas foram ao socorro de Tróia. Uma das suas rainhas, Harpalice, célebre pela rapidez na corrida, reduziu toda a Trácia ao seu poder.

No tempo de Hércules reinava a rainha Hipólita. Tendo Euristeu ordenado ao herói que lhe trouxesse o cinturão dessa princesa, Hércules partiu em busca das Amazonas, matou Migdon e Amico, irmão de Hipólita, que lhe disputavam a passagem, desbaratou as guerreiras, raptou-lhes a rainha, que obrigou a casar-se com o seu amigo Teseu.

No nono, Hércules limpou as estrebarias de Áugias. Rei de Elida e filho do Sol, Augias, um dos Argonautas, tinha uns estábulos que continham três mil bois, e que desde trinta anos não se limpavam.

Tendo sabido da chegada de Hércules aos seus Estados, o rei fez-lhe a proposta de limpá-los, sob a promessa de dar-lhe o décimo do rebanho.

O herói desviou o curso do rio Alfeu, e fê-lo passar através do curral. O esterco desapareceu na enxurrada, purificou-se o ar, e Hércules foi receber o preço de seu trabalho. Augias, hesitante e não ousando recusar abertamente, disse-lhe que fosse ter com seu filho Fileu, que deu razão a Hércules.

Seu pai expulsou-o de sua presença, e obrigou-o a refugiar-se na ilha de Dulíquia. Hércules, indignado com tal procedimento, saqueou a cidade de Elis, matou Augias, chamou Fileu e lhe entregou os Estados do pai.

No décimo, ele combateu Gerion e furtou-lhe os bois. Gerion, filho de Crisaor e de Caliroe, era, segundo Hesíodo, o mais forte de todos os homens e rei da Eréta, região espanhola e vizinha do Oceano.

Os poetas posteriores a Hesíodo descrevem-no como um gigante de três corpos, que tinha para guardar os seus rebanhos, um cão com duas cabeças e um dragão com sete.

Hércules matou Gerion e seus guardas, e apoderou-se dos bois. No undécimo, roubou as maçãs de ouro do jardim das Hespérides, filhas de Atlas. No duodécimo, retirou Teseu dos Infernos.

Atribuem-se a Hércules muitas outras ações memoráveis; cada país e quase todas as cidades da Grécia honravam-se de ter sido o teatro de algum feito maravilhoso desse herói.

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Feitos

Desta sorte ele exterminou os Centauros, matou Busiris, Anteu, Hipocooente, Eurito, Periclímene, Erixo, Lico, Caco, Laomedonte, etc…; arrebatou Cérbero dos Infernos, e daí retirou Alceste; livrou Hesíone do monstro que ia devorá-lo e Prometeu da águia que lhe comia o fígado.

Aliviou Atlas que vergava as espáduas ao peso do céu; separou as duas montanhas desde então chamadas as Colunas de Hércules; combateu contra o rio Aqueló, a quem tomou um dos cornos; finalmente chegou a combater contra os próprios deuses.

Diz Homero que esse herói, para se vingar das perseguições de Juno, atirou contra a deusa uma flecha de três pontas que a feriu gravemente.

Acrescenta o mesmo poeta que Plutão, na sombria morada dos mortos, também foi ferido na espádua, por uma flecha, e que teve de ir ao céu para se fazer curar pelo médico dos deuses.

Um dia em que os ardores do Sol o incomodavam, Hércules distendeu o arco para atirar contra o astro. O Sol, admirado de tão grande coragem, fez-lhe presente da barca de ouro sobre a qual, diz Ferecida, o Herói embarcou.

Tendo Hércules enfim se apresentado nos jogos olímpicos para disputar o prêmio, e não ousando ninguém concorrer com ele, Júpiter, sob a figura de um atleta, apresentou-se à luta; depois de um longo combate, como a vitória não se decidisse, o pai dos deuses deu-se a conhecer e felicitou o filho pela sua força e pelo seu valor.

Hércules teve muitas mulheres: as mais conhecidas são Megara, Onfale, Iole, Epicasta, Parténope, Augéia, Astioquéia, Astidàmia, Dejanira e a jovem Hebe, que ele desposou no céu, sem contar as cinqüenta filhas de Téspio, rei da Etólia.

Filhos

A Mitologia não sabe quantos filhos Hércules deixou, mas presume que estes são em grande número. Mais tarde muitas famílias se honraram de descender desse herói. A morte de Hércules foi motivada pela vingança do Centauro Nesso e pelo ciúme de Dejanira.

Essa princesa, filha de ceneas, rei de Cálidon, na Etólia, foi antes noiva de Aqueló, o que motivou uma disputa entre esse rio e Hércules.

Aqueló, tendo sido vencido em combate singular, se bem que tivesse tomado a forma de uma serpente, Dejanira ficou em poder do vencedor, que se dispunha a levá-la à sua pátria, quando viu contrariado o seu plano pelo rio Eveno, cujas águas cresceram extraordinariamente. Cogitava o herói se devia retroceder; o Centauro Nesso foi oferecer-se para atravessar Dejanira às costas.

Hércules consentiu e atravessou o rio em primeiro lugar; ao chegar à outra margem, percebeu que o Centauro, em vez de passar Dejanira, já se dispunha a arrebatá-la à viva força; então o herói, indignado com semelhante audácia, arremessou-lhe uma flecha embebida no sangue da hidra de Lema, que o feriu gravemente.

Nesso, sentindo-se morrer, entregou a Dejanira a sua túnica ensanguentada, dizendo-lhe que se ela conseguisse persuadir seu marido a usá-la, teria um meio seguro de conservá-lo para sempre fiel.

 Hércules – Como Morreu?

A jovem esposa, demasiadamente crédula, aceitou o presente, disposta a servir-se dele na primeira oportunidade.

Pouco depois, sabendo que Hércules se retivera em Eubéia, preso aos encantos de Iole, filha de Eurito, enviou-lhe a túnica de Nesso por um jovem escravo chamado Lichas, a quem recomendou que dissesse de sua parte ao marido as coisas mais ternas e que mais tocassem ao coração.

Hércules, que nada suspeitava dos desígnios de sua mulher, recebeu com alegria o presente fatal; mas apenas envolveu-se nele, o veneno de que a túnica estava impregnada fez sentir o seu funesto efeito: imediatamente espalhou-se-lhe nas veias e penetrou até a medula dos ossos.

Em vão o guerreiro tentou desembaraçar-se dessa túnica: ela se lhe colara à pele, como se fizesse parte dos membros. A medida que a rasgava, rasgava também a epiderme e as carnes.

Então dá gritos horrorosos, e faz as mais terríveis imprecações contra a pérfida esposa. No seu furor apodera-se de Lichas, atira-o ao mar onde o escravo se transforma em rochedo.

Vendo todos os seus membros dissecados, e próximo o fim, ele prepara uma fogueira sobre o monte Eta, estende a sua pele de leão, deita-se em cima, põe a dava sob a cabeça, e ordena a seu amigo Filoctete que ateie o fogo e guarde as suas cinzas.

Desde que se acendeu a fogueira, diz-se que o raio o feriu, e o consumiu em um instante para purificar o que houvesse de mortal em Hércules.

Júpiter então arrebatou-o ao céu, e o colocou entre os semideuses. Quando Dejanira soube da morte de Hércules, teve tal mágoa que se suicidou.

Os poetas dizem que de seu sangue brotou uma planta chamada ninféia ou herácleon. Filoctete, tendo construído um túmulo para as cinzas do seu amigo, foi depois oferecer sacrifïcio ao novo deus.

Os tebanos e os outros povos da Gréia, testemunhas das belas ações de Hércules, erigiram-lhe templos e altares. Mais tarde o seu culto foi levado a Roma, às Gálias, à Espanha, e até a ilha Taprobana, hoje Ceilão. Em Roma, Hércules tinha muitos templos; o de Cadix, onde se viam as famosas colunas, era célebre.

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Representações de Hércules

Hércules foi pintado com uma poderosa musculatura, os ombros quadrados, a tez negra ou bronzeada, os olhos fechados, a barba espessa, os cabelos crespos e horrivelmente descuidados.

Nos monumentos, aparece ordinariamente sob os traços de um homem robusto, com a dava na mão, com os despojos do leão da Neméia, ora no braço ora na cabeça.

Também o representam com um arco e o carcás; algumas vezes barbado, mas geralmente imberbe. A mais bela de todas as estatuas desse semideus, legada pela antiguidade, é o Hércules Farnésio, obra-prima d’arte, devida ao buril do ateniense Glicon, e descoberta no décimo sexto século, nos banhos de Caracala.

Hércules é aí representado repousando sobre a sua dava em parte recoberta com a pele do leão, e tendo em uma das mãos as maçãs do jardim das Hespérides.

O álamo branco era-lhe consagrado. Euristeu, não contente de saber morto o seu inimigo, quis exterminar os restos de um nome que lhe era odioso. Perseguiu os Heráclidas, os descendentes de Hércules, de país em país, até o seio da Grécia.

Tendo eles se refugiado em Atenas, perto de um altar de Júpiter, para contrabalançar Juno que animava Euristeu contra eles, Teseu tomou a sua defesa e recusou entregá-lo ao seu perseguidor, que, armado, veio buscá-los, e morreu em combate com toda a família.

Alcmene teve a mágoa de sobreviver a seu filho Hércules; mas lhe foi dada também a cruel satisfação de ter entre as suas mãos a cabeça de Euristeu e de lhe arrancar os olhos.

Depois da morte de seu primeiro marido, ela casou com Radamanto, com quem mais tarde se uniu nos Infernos.

Conta-se que, enquanto os Heráclidas se ocupavam dos seus funerais, Júpiter ordenou a Mercúrio que arrebatasse o seu corpo e o transportasse aos Campos Elíseos. Em Tebas, ela estava associada à glória do filho, e aí lhe rendiam honras divinas.

Todos os cinco anos, os atenienses celebravam as Heracléias, grandes festas em honra de Hércules. Algumas vezes Hércules é designado pelo nome de herói de Tirinto, cidade da Argólida, onde se diz que foi educado.

Personagens, Esposas e Heróis na Fábula

Ificlo

Ificlo ou Ificles, irmão de Hércules, filho de Aicmene e de Anfitião, foi durante algum tempo o companheiro do herói. Ferido desde a primeira expedição de seu irmão contra Argeu, rei dos eleanos, morreu em Fenéia, na Arcádia. Os feneates rendiam todos os anos, sobre a sua sepultura, as honras heroicas.

Hilo

Hilo, filho de Hércules e de Dejanira, foi educado por Ceix, rei da Traquina, na Tessália, a quem o herói tinha confiado a mulher e os filhos enquanto ele estava ocupado com os seus famosos trabalhos.

Enviado por Dejanira à procura de seu pai, tem o pesar de encontrá-lo no momento em que este acaba de vestir a túnica de Nesso. Sentindo-se prestes a sucumbir, Hércules recomenda-lhe que o coloque sobre o monte (Eta, que o bote numa fogueira, que faça fogo com as suas próprias mãos, e enfim que despose lole.

Foi Hilo quem matou Euristeu no seu combate contra os Heráclidas. Mais tarde, porém, tendo desafiado Astreu, chefe dos pelópias, com a condição de que, se fosse vencido, os Heráclidas não poderiam entrar no Peloponeso senão cem anos depois de sua morte, tendo perecido no combate, os seus descendentes foram obrigados a observar o tratado.

Ceix e Alcione

Ceix, rei de Traquina, filho de Lúcifer e amigo de Hércules, pereceu em um naufrágio, quando ia para Claros consultar o oráculo de Apoio. Sua esposa Alcione, filha de Eolo, da raça de Deucaiião, tomada de desespero precipitou-se no mar.

Os deuses recompensaram a sua fidelidade conjugal metamorfoseando-os em dois alciones, e fizeram com que o mar permanecesse calmo durante o tempo que esses pássaros preparassem o seu ninho.

O alcion era consagrado a Tetis, porque, dizem, este pássaro choca sobre a água e entre os caniços. Olhavam-no como um símbolo de paz e de tranqüilidade. Em Roma, os dias em que não havia demandas, chamavam-se comumente dias de Alcion.

Iolas

Tolas, filho de Ificlo e sobrinho de Hércules, foi o seu companheiro de trabalhos, com eles tomou parte na expedição dos Argonautas, casou com Megara, repudiada pelo herói, pôs-se à frente dos Heráclidas com Hilo, e o ajudou na vitória contra Euristeu.

Transportou uma colônia de Tespíades à Sardenha, passou à Sicília, regressou à Grécia onde, depois de sua morte, dedicaram-lhe monumentos heroicos. Hércules dera o exemplo, porque, na Sicflia, dedicara um bosque a lolas e instituíra sacrifícios em seu louvor. Os habitantes de Agira, na Sicília, dedicavam-lhe a cabeleira.

Folo

Hércules, quando foi à caça do javali de Erimanto, hospedou-se em casa do Centauro Folo, que o recebeu e o tratou muito bem. No meio do festim, Hércules quis encetar um moio de vinho que pertencia aos outros Centauros, mas que Baco só lhes oferecera sob condição de que o oferecessem a Hércules quando por ali passasse.

Os Centauros, porém, lho recusaram, e se estabeleceu uma viva luta. O herói afastou-os a flechadas, e a muitos matou com a sua dava.

Folo não se meteu no combate, e se limitou a render aos mortos as honras da sepultura; mas, por desgraça, uma flecha, que arrancou do corpo de um dos Centauros, feriu-o na mão, e dessa ferida morreu dias depois. Hércules lhe fez magníficos funerais, e o enterrou na montanha que, mais tarde, em honra sua, se ficou chamando Foloe.

Busiris

Busiris, rei ou antes tirano de Espanha, era famoso por suas crueldades. Imolava a Júpiter todos os estrangeiros que tinham a desgraça de chegar aos seus Estados.

Diz-se que, tendo ouvido gabar a prudência e a beleza das filhas de Atlas, fez raptá-las por piratas; mas Hércules perseguiu os raptores, matou-os, salvou as Atlântidas, e se dirigiu à Espanha, a fim de matar Busiris. Pretendem outros que esse tirano era rei do Egito.

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Anteu

Anteu, filho de Netuno e da Terra, era um gigante que, segundo a fábula, tinha sessenta e quatro cúbitos de altura; detinha todos quantos passavam pelo deserto da Líbia, e os obrigava a lutar com ele, e facilmente os esmagava com seu peso porque fizera uma promessa a Netuno de construir com crânios humanos um monumento em honra sua.

Hércules, a quem o gigante provocara, abateu-o três vezes, mas em vão, porque a Terra, sua mãe, lhe dava forças novas cada vez que ele a tocava.

O herói percebeu isso: então, levantou-o no ar e o estrangulou entre os seus braços. – Anteu construíra a cidade de Tingis (hoje Tanger) no estreito de Gibraltar, onde foi enterrado.

Hipocoon

Hipocoon, filho de abale, rei de Esparta, e de Gorgofone, filha de Perseu, disputou a coroa com seu irmão Tíndaro, e o expulsou do reino. Hércules interveio, matou Hipocoon e restabeleceu Tíndaro no trono.

Eurito

Eurito, rei de Ecália, cidade de Etólia setentrional, era célebre pela habilidade com que atirava o arco. Prometera sua filha Iole àquele que o sobrepujasse. Hércules o venceu, mas tendo Eurito recusado cumprir a promessa, o herói o matou.

Erix

Erix, filho de Vênus e de Butes, foi rei de um cantão da Sicília, chamado Ericia. Orgulhoso da sua força prodigiosa e da sua reputação no pugilato, desafiava aqueles que se apresentavam em sua casa, e matava o vencido. Ousou mesmo atacar a Hércules, quando este acabava de chegar da Siciia.

O prêmio do combate de um lado foram os bois de Gerion e do outro o reino de Erix, o qual se estomagou a princípio com a comparação, mas aceitou depois o oferecimento sabendo que Hércules perdia com os bois a esperança da imortalidade. Erix foi vencido, e enterrado no templo dedicado a Vênus.

Aquemon e Pássalo

Aquemon e seu irmão Pássalo eram dois Cécropes, isto é, originários de Pitecusa, ilha vizinha da Sicília, cujos habitantes, por causa da sua insolência e da sua maldade, tinham sido mudados em macacos por Júpiter. A palavra cecrops, em grego, significa uma espécie de mono.

Pela sua malícia esses dois irmãos não desmentiam a origem. Discutidores incorrigíveis, provocavam a quantos encontravam. Senon, sua mãe, recomendou-lhes que tivessem cuidado em não cair entre as mãos de Melampigo, isto é, do homem de coxas negras.

Um dia, os dois irmãos encontraram Hércules dormindo sob uma árvore e o insultaram. Hércules ligou-os pelos pés, amarrou-os à sua dava, de cabeça para baixo, e levou-os ao ombro, como o caçador faz com a caça. Nessa ridícula posição, eles disseram: “Eis o Melampigo que devíamos recear.”

Hércules pôs-se a rir e lhes deu a liberdade. Essa fábula motivou o provérbio grego: “Toma cuidado com o Melampigo.”

Caco

Caco, em grego, Cacos, Mãe, filho de Vulcano, meio homem e meio Sátiro, era de uma altura colossal, e vomitava turbilhões de fogo e fumo.

A porta de sua caverna, situada na Itália, pendiam sempre cabeças ensangüentadas; essa caverna era no Lácio, ao pé do monte Aventino.

Hércules, depois da derrota de Gerion, conduziu os seus rebanhos de bois às mar gens do Tibre, e adormeceu enquanto eles pasciam. Caco roubou quatro juntas, e para não ser traído por suas pegadas, levou-os ao seu antro, às arrecuas, pela cauda.

Dispunha-se o herói a abandonar essas pastagens, quando os bois que lhe restavam começaram a mugir; as vacas, encerradas no antro, respondiam com mugidos.

Hércules, furioso, correu para a caverna; mas a abertura estava tapada com um enorme rochedo, preso por corrente forjada por Vulcano.

Ele abala os rochedos, consegue uma passagem, atira-se na caverna, através de turbilhões de chamas e fumo que o monstro vomita.

Hércules segura-o aperta-o entre as suas mãos robustas e o estrangula. Diz Ovídio que Hércules matou a Caco a golpes de dava. Em lembrança dessa vitória os habitantes da vizinhança celebravam todos os anos uma festa em honra de Hércules.

Antigas pedras gravadas representam Caco no momento do roubo; e sobre o reverso de uma medalha de Antonino, o Piedoso, vê-se o monstro derrubado, sem vida, aos pés do herói, em torno do qual se acotovela o povo agradecido.

Nos tetos pintados em Bolonha, no palácio Zampieri, por Carrache, Caco tem a cabeça de animal e o corpo de homem.

Laomedonte e Hesíone

Laomedonte, filho de Ilo e pai de Pïíamo, reinou em Tróia vinte e nove anos. Fez cercar a sua Capital de muralhas tão fortes, que passavam por ser obra de Apoio, e os resistentes diques que fez construir contra as ondas eram atribuídos a Netuno.

Como mais tarde as inundações tivessem destruído em parte esses cais, contou-se que Netuno, frustrado da recompensa prometida, assim se vingara da perfídia do rei; e por seu lado.

Apoio vingou-se por meio da peste. Recorreu-se ao oráculo para fazer cessar esses dois flagelos, e a resposta foi que o deus do mar não se acalmaria enquanto os troianos não expusessem a um monstro marinho aquele dentre os seus filhos que a sorte designasse. A sorte designou Hesíone, filha de Laomedonte.

O rei foi obrigado a abandonar a sua filha, amarrada junto do mar, quando Hércules desceu à terra, com os outros Argonautas. Desde que a jovem princesa lhe contou o seu infortúnio, o herói desfez as cadeias que a prendiam, e, entrando na cidade, prometeu ao rei que havia de matar o monstro.

Encantado com essa oferta generosa, Laomedonte prometeu-lhe, como recompensa, os seus cavalos invencíveis, tão ligeiros que corriam sobre as águas. Tendo Hércules acabado essa expedição, deu-se a Hesíone a liberdade de seguir ao seu salvador ou de ficar na pátria, entre a família.

Hesíone preferiu o seu benfeitor a seus pais e a seus concidadãos, e consentiu em acompanhar os estrangeiros. Hércules, porém, deixou sob a guarda de Laomedonte, Hesíone e os cavalos prometidos, sob a condição de que lhos restituiria ao seu regresso da Colchida.

Depois da expedição dos Argonautas, Hércules enviou a Tróia o seu amigo Telamon para exigir do rei o cumprimento da palavra; mas Laomedonte encarcerou o enviado de Hércules e preparou emboscadas aos outros Argonautas.

Então o herói foi sitiar a cidade, saqueou-a, matou Laomedonte, raptou Hesíone, e deu-a como esposa a Telamon. O rapto de Hesíone pelos gregos serviu de pretexto para o rapto de Helena por um príncipe troiano.

Alceste

Alceste, filha de Pélias e de Anaxábia, sendo desejada em casamento por um grande número de pretendentes, seu pai fez saber que a daria àquele que atrelasse ao seu carro animais ferozes de diferentes espécies. Admeto, rei da Tessália, recorreu a Apolo.

Esse deus, reconhecido ao acolhimento que recebera do rei, deu-lhe um leão e um javali domesticado, que arrastaram o carro da princesa.

Alceste, acusada de haver tomado parte no assassinato de Pélias, foi perseguida por Acasto, seu irmão, que declarou guerra a Admeto, fé-10 prisioneiro, e se dispunha a vingar sobre ele o crime de Pélias, quando a generosa Alceste foi oferecer-se espontaneamente ao vencedor, para salvar o esposo.

Acasto conduzia já a bicos a rainha da Tessália no intuito de imolá-la aos manes de seu pai, quando Hércules, a pedido de Admeto, tendo perseguido Acasto, alcançou-o para além do rio Aqueronte, e arrebatou-lhe Alceste, para entregá-la ao marido.

Daí se originou a fábula que representa Alceste morrendo por seu marido, e Hércules combatendo a Morte, amarrando-a com cadeias de diamante até que ela consentisse em restituir Alceste à luz do dia. Essa tradição foi adotada por Eurípedes na sua tragédia Alceste.

Megara

Megara, filha de Creon, rei de Tebas, e mulher de Hércules, foi concedida a esse herói em recompensa do socorro que ele prestou a Creon contra Ergino, rei de Orcômene.

Durante a descida de Hércules aos Infernos, Lico quis apoderar-se de Tebas, e obrigar Megara a desposá-lo. Hércules regressou a tempo, matou Lico e restabeleceu Creon.

Juno, indignada com a morte de Lico, inspirou a Hércules um violento furor; em um desses acessos ele matou Megara e os filhos que ela tivera.

Segundo outra lenda, o herói matou apenas os filhos, e depois repudiou a esposa, cuja vista lhe lembrava o seu furor, e fê-la casar com o seu sobrinho Tolas. – A demência do guerreiro forneceu a Eurípedes o assunto da tragédia Hércules furioso.

Onfale

Onfale era rainha da Lídia, na Ásia Menor. Hércules, viajando, demorou-se em casa dessa princesa, e ficou tão deslumbrado pela sua beleza, que esqueceu o valor das suas empresas para se entregar aos prazeres do amor.

Diz Lucano que “enquanto Onfale, coberta com a pele do leão de Neméia, segurava a dava, Hércules, vestido de mulher, fazia tarefas de lã e suportava que ela lhe desse algumas vezes pancadinhas com a chinela”.

Assim se vê Hércules representado em alguns monumentos. Hércules teve com Onfale um filho chamado Agesislau, que se crê pai de Creso.

Malis também foi amada por Hércules, durante a escravidão do herói na corte de Onfale. Era uma dama do séquito da princesa.

Iole

lole, filha de Eurito, rei de cEcália, perseguida por Hércules, que devastava os Estados de seu pai, atirou-se do alto das muralhas; mas o vento, enfunando os seus vestidos, susteve-a no ar e fê-la descer sem que experimentasse mal algum.

Segundo outros, Eurito recusou a filha ao herói, o que causou a sua perda e a de seu filho Ifito. Foi o amor de Hércules por lole que motivou o ciúme de Dejanira, e daí, o presente da falsa túnica de Nesso.

Outras Mulheres de Hércules

Epicasta, filha de Egeu, teve de Hércules uma filha chamada Tessala. Parténope, filha de Estínfale, teve dele um filho, Everres. Augéia, mulher de Hércules, filha de Aleo, rei da Arcádia, foi a mãe de Telefo, cujas desgraças forneceram assunto a muitas tragédias do teatro antigo.

Astiaquéia, filha de Filanto, tendo sido feita cativa por Hércules, na cidade de Efina, na Elida, teve dele um filho chamado Tiepóleme.

Astidâmia, filha de Amintor, rei dos dolopes, e mãe de Lépreas, foi amada por Hércules e reconciliou seu filho com ele.

Com o herói teve um outro filho chamado, segundo uns, Tiepóleme, e segundo outros, Etésipo. Lépreas, filho de Astidâmia e de Glaucon, tinha conspirado com Augias, rei dos eleanos, para amarrar Hércules, quando ele pedisse a recompensa do seu trabalho, conforme a promessa feita por aquele rei.

Desde esse tempo, Hércules procurava ocasião de se vingar. Graças a Astidâmia, os dois inimigos se reconciliaram; mas depois Lépreas disputou com Hércules para ver quem lançaria melhor o disco, tiraria mais água em um certo tempo, comeria mais depressa um touro de igual peso e beberia mais.

Hércules foi sempre vencedor. Enfim Lépreas, em um acesso de cólera e de embriaguez, tendo desafiado Hércules para um combate, foi morto pelo herói.

Fontes:

1, 2, 3

Imagens-   nytimes.com /arcadeouro.blogspot.com.br /oitavoanao.blogspot.com.br/mythologian.net/mdestasio.blogspot.com.br/

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